Sábado, 12 de Setembro, 2009

 

CCDLC- Resumo conclusivo da Entrevista
A Mediação poderá ser assumida na vertente social, familiar, consoante causa processual. No entanto, referimos concretamente a Mediação Pedagógica , como instrumento de trabalho, profissão, por forma a valorizar utentes na “Reconstrução das suas Histórias de Vida”,promover “processos Individualizados de Inserção em projectos de Vida “,mediar na temática da “RSO- Responsabilidade Social das Organizações” e reforçar  “Rede de Serviços de Base Social e Local”
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Dr.ª Mara Mota é licenciada em Ciências da Educação, tem prestado colaboração neste Centro Social no projecto "Redescobrir Caminhos na Inclusão Social" inserido na área de actividade Competitividade Social (Empregabilidade, Aprendizagem ao longo da Vida, Tecnologias da Informação e Comunicação). Concretamente o projecto visa consubstanciar os seguintes aspectos:
I - As Pessoas/Utentes e a cultura (empowerment) para mudanças sociais e desenvolvimento pessoal/profissional.
II - A Escolaridade obrigatória/recomendável e a participação da Comunidade Educativa.
III - Do Processo de Aprendizagem ao longo da Vida, Acções Saber+ e a RVCC-Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências.
IV - Suporte Institucional (Governabilidade), nomeadamente a Rede de parceria em projectos pedagógicos e empreendedorismo em projectos educativos.
Nesta parte IV coloca-se a temática dos Serviços de Base Social e Local a prestar, bem como a questão em título, Mediação Pedagógica, instrumento de trabalho, profissão!?.
A Enciclopédia Livre Wikipédia, refere a Pedagogia como ciência ou disciplina cujo objectivo é a reflexão, ordenação, a sistematização e a crítica do processo educativo, no caso, o processo  de inclusão social.
Na presente Entrevista realizada à Dr.ª Mara Mota procuramos relevar a Mediação Pedagógica no encaminhamento processual da inclusão social.

CCDLC - Considerando a situação psico-social que caracteriza as pessoas com baixa
escolaridade e sócio carenciada, quais os instrumentos de trabalho aconselháveis na
intervenção sócio comunitária?
MM - Os públicos desprovidos dos requisitos mínimos de empregabilidade apresentam fragilidades não somente ao nível de escolaridade, formação e experiência profissional mas também em termos de competências pessoais e sociais, evidenciando a necessidade de trabalhar igualmente a dimensão psicossocial. Assim sendo, torna-se imperativo desenvolver um modelo de formação psicossocial de teor maioritariamente prático e flexível consoante as necessidades e especificidades da população alvo, centrado em conteúdos relativos às histórias de vida dos formandos na base de uma troca de experiências individuais e colectivas. Os resultados esperados traduzem-se sobretudo na alteração de padrões comportamentais socialmente desajustados e adopção de atitudes de valorização e promoção pessoal.

CCDLC - As pessoas empregadas muitas em situação precária ou que pretendem apenas
melhoria da respectiva situação profissional apresentam , como sabe, características diferenciadas. Então como abordar este extracto da população?
MM - Tendo em conta as características diferenciadas das populações em risco de exclusão, associadas a carências sociais, educacionais e económicas, cada caso exige um processo individualizado de inserção e focalizado nos objectivos, interesses e necessidades de cada um dos participantes.
Neste sentido o processo individualizado de inserção não é percepcionado de forma isolada mas integrado num projecto de vida global que ambiciona a supressão das múltiplas carências mencionadas anteriormente, pelo desenvolvimento de competências que facilitem o acesso à empregabilidade.
CCDLC - A cultura do empowerment para a mudança social tem duas componentes, uma da parte dos utentes e outra da parte de instituições, ou se quiser , da sociedade. De que formas poderá ser assumida a mediação processual na perspectiva empresarial ou da sociedade?
MM - A mediação no processo individualizado de inserção assume um papel importante na sensibilização do meio empresarial para as questões da Responsabilidade Social e Desenvolvimento Sustentável e na aproximação dos interesses e potencialidades dos utentes às necessidades de recursos humanos das empresas.
O Mediador/Tutor no processo individualizado de inserção garante à empresa ou organização a colaboração no acompanhamento e monitorização do desenvolvimento profissional de cada participante nos planos individuais de inserção profissional/formação. Deste modo, ao potenciar o acesso às oportunidades de formação e inserção profissional a pessoas em desvantagem social e propiciar a disseminação de exemplos bem sucedidos de inserção profissional caminhamos para a quebra de preconceitos enraizados na sociedade relativamente a certas populações mais vulneráveis.

CCDLC - Com referência a esta temática e remetendo para reflexão que poderá já ter tido durante a licenciatura, como vê a Mediação Pedagógica, instrumento de trabalho, profissão!?
MM - Emergem actualmente várias formas de Mediação para dar resposta aos novos problemas sociais, derivados das transformações estruturais da sociedade, que requerem um processo mediador, fonte de constantes aprendizagens e de reformulação de conceitos sociais. Para tal, a Mediação implica competências de ordem sistémica, interdisciplinar de gestão de projectos, indispensáveis na intervenção comunitária e desenvolvimento de parcerias.
Em específico, o Técnico Superior de Educação encontra-se habilitado para exercer a sua prática profissional num vasto e diversificado campo de actividades educativas e de formação, de carácter social e cultural, dentro e fora do sistema educativo, podendo intervir em contextos sociais e organizacionais onde a educação, a formação ao longo da vida, a animação, a mediação educacional e a supervisão da formação são fulcrais para o desenvolvimento pessoal e comunitário. Logo o perfil profissional do Técnico Superior de Educação prevê que o mesmo se encontre apto a desempenhar funções de mediação em processos de mudanças individuais (de comportamento e de atitudes, de valores e competências) e simultaneamente de mudanças sistémicas, quer de grupos quer de dispositivos de mediação (harmonização da rede de parcerias).


 
 
 
publicado por Renato Costa às 18:48

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